Viver e anunciar a Palavra

Dois acontecimentos marcam a actualidade eclesial, entre nós, que motivam um olhar atento, decididos como devemos estar para um empenhamento verdadeiramente cristão. Realizou-se o Sínodo dos Bispos, tendo como tema "A Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja", e a nossa Diocese de Coimbra encontra-se a fazer a apresentação do seu Plano Pastoral para os próximos três anos. Há uma interligação entre estes dois eventos, que importa sublinhar.

O Papa Bento XVI, após a sua realização, referiu ser preciso dar continuidade ao espírito sinodal. "Percebemos, segundo declarações citadas pela Agência Ecclesia, uma realidade mais profunda, a obediência à palavra de Deus, a conformidade ao nosso pensamento, da nossa vontade à vontade de Deus. Mas uma obediência que não ataca a nossa liberdade, mas desenvolve-se a partir da nossa liberdade". Importa, por isso, uma atitude de escuta da Palavra, de acolhimento do Deus vivo que nos interpela, do confronto da nossa vida com os novos horizontes a que ela nos lança. Realmente, o Magistério nos aponta que "a Igreja vive da Eucaristia", mas reforça essa evidência com a indicação de que ela igualmente "vive da Palavra". Ler a Palavra de Deus, fazer formação bíblica, ter um conhecimento mínimo da interpretação dos textos, fazer oração com a Sagrada Escritura, são algumas consequências para quem quer fazer dela uma fonte inesgotável de vida. O Sínodo expressou o voto de que cada católico "possua pessoalmente" uma cópia da Bíblia.

O documento final do Sínodo, com 55 propostas, está estruturado em três capítulos, isto é: a Palavra da Deus na fé, na vida e na missão da Igreja, com a conclusão "Maria Mater Dei et Mater fidei". Contudo, os delegados sinodais, numa das conclusões, não perderam a oportunidade de lembrar a ligação ao mundo mediatizado, pois "a Igreja não é só chamada a difundir a Palavra de Deus através dos media, mas também e sobretudo a integrar a mensagem de salvação numa nova cultura que a comunicação cria e amplia." Deste modo, ela penetra em todas as comunidades, "chegando a quem está longe também através destes novos instrumentos", afirma o documento. Conhecer e investir mais na comunicação, "através dos diversos instrumentos que são oferecidos, como a televisão, a rádio, os jornais e a internet", sendo necessário "preparar católicos, convictos e competentes, no campo da comunicação social", afirma-se nas conclusões.

Por outro lado, a Diocese de Coimbra encontra-se a apresentar o seu Plano, que tem como grande slogan o mandato de Jesus Cristo aos seus discípulos: "Ide e fazei discípulos". Assim se procura valorizar a dinâmica evangelizadora a e missionária da Igreja, que sempre deve estar voltada para o mundo, para lhe levar a boa nova libertadora. Os leigos são chamados a corresponder duma forma decisiva, pois a sua vocação secular os torna mais aptos, próximos e em melhores condições para dar uma atenção especial aos que se encontram mais afastados dos caminhos da fé e da prática cristã. A Escola Diocesana de Leigos vai ter o encargo de lhes dar a devida formação, pois a nobreza da missão não permite que se fique em boas vontades, mas exige competência e capacidade de comunicação. Dentro da máxima de que ninguémdá o que não tem, importa assim uma mais cuidada formação bíblica e capacitação pastoral para o trabalho da vinha do Senhor. Vale a pena recordar que D. Albino Cleto enquadrou este trabalho evangelizador do Plano Pastoral, no quadro da parábola da "árvore e os seus ramos". Como tal, para dar bom fruto, há que cuidar da preparação do terreno, do tratamento, da articulação das várias etapas, duma forma planificada e interligada, para que os frutos venham a seu tempo, com abundância e qualidade. P. Armando Duarte