Imprensa Regional que futuro?

Este foi o tema da conferência que decorreu no dia 8 de Novembro no Instituto Universitário Justiça e Paz, em Coimbra. Uma conferência organizada pelo Secretariado Diocesano das Comunicações Sociais, que contou com a presença de Ana Tamarit Rodriguez, professora catedrática da Universidade Pontifícia de Salamanca.

Uma conferência onde esteve presente o bispo de Coimbra, D. Albino Cleto, que abriu a conferência falando do papel da igreja e dos meios de comunicação da igreja, salientando que estes "não podem ser uma ilha". Assim ficou dado o mote para que Ana Tamarit Rodriguez iniciasse a sua exposição, relativamente à imprensa regional em Portugal e também em Espanha.

Num cenário pouco favorável à sobrevivência e consolidação da imprensa regional, Ana Tamarit Rodriguez revelou algumas das dificuldades vividas no nosso país, sem deixar de salientar que esta imprensa tem futuro. Para que este futuro seja mais risonho, os órgãos de comunicação regional, necessitam de mais apoio e uma maior união. Para a professora catedrática "numa sociedade globalizada, a imprensa regional tem um papel importantíssimo, pois é a que está mais próxima do público, sendo mais rápida e direccionada para o que realmente interessa ao seu público". Nesta sociedade globalizada, sobretudo devido ao poder económico, a imprensa regional "não é uma imprensa de segunda, mas pelo contrário, a mais importante", referiu Ana T. Rodriguez.

Segundo o estudo da conferencista, existem diversos grupos, que têm diferentes níveis de influência na imprensa, bem como em todos os órgãos de comunicação em geral, regional, nacional e internacional. Destes grupos, o principal influenciador na criação da opinião pública, são os grupos económicos e financeiros, seguindo-se o poder político, os meios de comunicação, até ao público. Esta influência do poder económico é segundo Ana T. Rodriguez "mais evidente na imprensa regional, pois é a que mais depende dos seus apoios para sobreviver", tornando-se assim mais influenciável e sujeita à manipulação desse poder, bem como do poder político. Pois sem o apoio destes dois poderes, seria muito mais difícil a sobrevivência dos órgãos de comunicação social.

Ana T. Rodriguez, referiu também o grande número de publicações regionais em Portugal, o que leva a que "não exista público suficiente para o número de órgãos de comunicação", de forma a serem todos eles rentáveis.

Esta conferência subordinada ao tema "Imprensa Regional Que Futuro?", contou com a presença de diversos elementos da imprensa, desde jornalistas a directores de jornais, e alguns estudantes, que encheram a sala. Perante esta audiência a conferencista espanhola, mostrou de forma clara e real, que a imprensa regional tem muitas dificuldades, mas que só com o esforço de todos é possível seguir em frente, praticando um jornalismo de qualidade, e deu o exemplo de Espanha, onde a maioria dos jornalistas da imprensa regional tem formação superior, o que melhora a qualidade dos órgãos de comunicação e do jornalismo regional.

Das conclusões da conferência, ficou patente que "apesar de o negar, a imprensa regional é influenciada pelo poder político local, pois os temas mais "sensíveis"são esquecidos quando vem o financiamento ou publicidade" adiantou Ana Tamarit Rodriguez.

A terminar a conferencista deixou duas afirmações, "os meios de comunicação não se comprometem com a sociedade" e para os actuais e futuros jornalistas ficou a mensagem de que "temos que influenciar a opinião pública, mas não nos podemos deixar influenciar".

Afinal, qual o futuro da imprensa regional? A esta pergunta Ana Tamarit Rodriguez não deixou uma resposta concreta, mas deixou algumas linhas que podem ser seguidas, para que a imprensa regional seja cada vez melhor e consolide definitivamente o seu papel de extrema importância na sociedade portuguesa.

Tertúlia para futuro

Terminada a conferência e após uma pequena pausa para o jantar, realizou-se uma tertúlia, onde participaram Ana Tamarit Rodriguez, alguns directores de jornais, elementos da organização e jornalistas.

Num ambiente descontraído e de conversa, foram trocadas algumas ideias, debatido o presente e sugeridas algumas medidas para o futuro.

Para a questão desta conferência "Imprensa Regional que Futuro?" ficou a resposta, simples, mas gratificante e animadora. De uma forma ou de outra, o que é importante, é que, há futuro!

João Góis