800 ANOS

DE HISTÓRIA

DA PARÓQUIA

E IGREJA

DE ANSIÃO

 

 No último quartel do séc. XII surgem as primeiras referências escritas acerca de Ansião, nos documentos em que o Mosteiro da Santa Cruz de Coimbra aparece a adquirir bens, a partir de 1175, na chamada Herdade de Ansião.

A Herdade de Ansião era uma extensa propriedade que, demarcada por três limites determinados, confinava a Nascente pela Moita do Açor, dai seguindo o cimo da vertente até ao cimo de Fonte Galega; descia para o Pedrulhal e ia até Figueiras Podres. A Poente, o cimo e esmoladouro em Ansião; a Norte, a ribeira de Sarzedela.

Em Março de 1175, Pedro Mendes vendeu, por cinco morabitinos, um quarto da área referida. Em Abril, Osório Rodrigues vendeu outro quarto por cinco morabitinos, e Pedro Anes e sua mulher Justa Rodrigues venderam um outro quarto, também por cinco morabitinos. Em Junho, Justa Pais, chamada a "Cadafa", viúva de Paio Cavalinho, vende mais um oitavo por dois morabitinos e meio. Em Junho do ano seguinte, 1176, o Mosteiro completa a compra com a aquisição da última parcela, o oitavo final, a Pedro Soares e a sua mulher Maria Pais, por igual preço do anterior. ( Ver o Livro do P. José Eduardo Coutinho – ANSIÃO).

Esta Herdade não era somente terreno inculto nem despovoado (tudo indica haver ali um pequeno aldeamento, pois, um local destinado a esmolas – deduzível de "esmoladouro" - implica a passagem de viandantes, bem como de alguém que habitasse próximo, para olhar pelas esmolas deixadas.

De certo, o Mosteiro nunca deixou de se interessar por estes seus bens, porquanto, em Setembro de 1216, concedeu a Herdade a Mendo Carvalho e outros, com a obrigação de a trabalharem com trinta bons povoadores. Daqui começa a surgir um povoado, que depressa aumenta e para o qual o Convento de Santa Cruz promove a construção duma igreja, situada no local desde há muitos anos denominado Igreja Velha. Igreja essa que já nos aparece em documento de 1259 e em 1321 faz parte do rol de igrejas do Arcediagado de Penela, taxada em 40 libras, para ajudar o rei D. Dinis na luta contra os mouros, conforme Bula que lhe foi concedida pelo Papa João XXII.

Em 1593, e mercê do aumento enorme dos moradores, a igreja velha é substituída pela actual, espaçosa e monumental.

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