RESUMO DA HISTÓRIA DE AVELAR
AUTONOMIA PAROQUIAL
Situada em suave declive voltado a Poente,
e numa campina raza e fértil, Avelar fazia parte da freguesia de Aguda, todavia, devido à distância que as separava, e a outros factores, apresentados a Roma, conseguiram os paroquianos que Inocêncio XI lhes constituisse uma freguesia separada, em 1680, passando, desde então, a desenvolver uma acção socio-religiosa comum, por intermédio de orgãos próprios.LENDA DE "APARIÇÕES"
Reza a tradição lendária que, ao Norte da vila, num sítio chamado Fetal, frequentemente aparecia aos pastores uma formosa menina, a pentear-se, e que logo desaparecia quais eles se aproximavam. Tempos depois, sendo este facto já subejamente conhecido em toda a região, e considerado milagre, o povo, levado pela sua arreigada religiosidade natural, construiu uma pequena capela onde foi colocada a imagem da Vir gem Maria. Cresceu o interesse pelo facto e, em breve, as romarias incrementaram as festas de N.ª Senhora da Guia.
"MILAGRE" DE N.ª SENHORA DA GUIA
Sempre que em qualquer lugar o fanatismo de alguém dá foros de prodígio, ou maravilha, a algum facto aparentemente extraordinário, logo a crença popular tudo faz constar ao longe, sob a designação de milagre e, simultaneamente, dá-se o afluir de pietismos vazios e de crenças não esclarecidas próprias de uma fé amorfa e incipiente. Tal como noutras terras - Abiul, Pombal e Urgueira -, Avelar teve este atractivo e viu eclodir, certamente a partir de 1712, famosas romarias às festas de N.ª Senhora da Guia.
Eram no 1.º Domingo de Setembro, e fundamentalmente incidentes num caso curioso:
Forno da Senhora da Guia.
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Na vila construiu-se, ao cimo de uma imponente escadaria, um forno de enormes dimensões, durante três dias aquecido com muitas carradas de lenha, para, na data da festa, cozer um enormíssimo bolo de alguns alqueires de massa. Perante a assistência dos romeiros, um homem conduzia-o lá dentro em carrinho de mão, entrando após o lar ter sido variado, levando na boca um cravo que, devotamente tirara do andor da Virgem. E o "milagre" acontecia, porque saía sem se queimar ou crestar, levando umas sandálias calçadas; o caso nada mais era que a verificação de um vulgar princípio de Física.Quando cozido, o bolo era tirado e dividido em pequenos pedaços que os devotos levavam e que, por vezes, colocavam nas arcas de roupa, contra a traça!
CAPELA DE N.ª SENHORA DA GUIA
Segundo a cópia da provisão do Infante Dom Pedro, data da de Lisboa, a 9 de Julho de 1757, enviada ao ouvidor da comarca das Cinco Vilas de Chão de Couce, a fundação da capela de N.ª Senhora da Guia iniciou-se naquele ano e continuava com o produto das esmolas do povo, que nessa obra seriam empregues, e tomadas na antiga capela da mesma inovação, onde avultavam.
Contemporaneamente, o forno foi convenientemente restaurado e protegido; situado ao cimo de um amplo terreiro, é a lembrança daqueles factos que passaram.
IGREJA MATRIZ
Com a criação da paróquia de Avelar, em 1680, de imediato se procedeu à estruturação da igreja paroquial, como é óbvio, e, para tal, o culto teve lugar na antiga capela de Senhora da Guia, situada ou no próprio local da actual, ou, então, ligeiramente a Poente, segundo uma tradição popular.
O grande rendimento de esmolas dos devotos era incomparável na região, tanto que a referida provisão de 9 de Julho de 1757 evidencia-o claramente, fazendo-o aplicar na edificação da nova capela, naquele mesmo ano iniciada. Esta, segundo a datação que ostenta, é de 1767, e aparece na mesma linha de continuidade, em coincidência e identidade simultânea com o constatado desde 1680: é a própria igreja matriz.
A empena é decorada por um brasão real. Tem uma nave, com tecto abaulado, de madeira pintada. As esculturas que contém são populares, de pedra, representando o Espírito Santo - seu orago -, um S. Sebastião e uma Virgem do Rosário. Uma volumosa torre eleva-se do lado esquerdo, formada por três corpos distintos, de secção quadrangular; um inferior e outro mediano, com sinos; o conjunto é encimado por um corpo octogonal rematado em coruchéu piramidal cintado por dois cordões de cantaria, acantonados por urnas, sem fogaréu, como os que ladeiam a cruz da empena, com volutas, e o lado Sul. Era curato da apresentação do vigário de Aguda.
Monografia "ANSIÃO" de José Eduardo Reis Coutinho