Pedagogia das Casa do Gaiato do Padre Américo posta em causa por Técnicas da Segurança Social
Assistimos nos últimos seis meses a diversos ataques à obra grandiosa que há 64 anos, cuida das crianças abandonadas e em risco, com provas dadas. Vários jornais diários fizeram eco das conclusões da comissão de inquérito. Estranhamente os dirigentes das várias casas do gaiato, sacerdotes seguidores da doutrina do fundador o saudoso Pe. Américo de nada sabem oficialmente, será que na segurança social, que tem falhado com consequências gravíssimas, como recentemente os jornais noticiaram, não dão direito à defesa daqueles que elas atacam? É estranho e grave.
Felizmente que dezenas de personalidades vieram dar a cara e defender a obra e a sua pedagogia. O Dr. José Miguel Júdice, bastonário da Ordem dos Advogados não hesitou e escreveu o seu depoimento no jornal "Público". Muitos outros cidadãos anónimos, que conhecem bem o trabalho abnegado, dos padres da rua vieram defender e apoiar. A obra não depende do Estado. Não pede nada à Segurança Social. Vive de dádivas voluntárias de cidadãos de todas as classes sociais, credos, religiões ou ligações políticas. Dão pão, dão educação, formam homens para a vida na escola do trabalho, como nas famílias estruturadas e saudáveis. Admira-me bastante que cidadãos do governo como o Dr. Bagão Félix, que é católico e conhece bem a obra se tenha remetido ao silêncio. É grave.
Muitos são gaiatos que constituíram famílias dignas, estáveis, alguns já têm netos e continuam ligados à casa mãe e a quem os fez gente. Estes vieram do nada, da rua, do abandono, do álcool, da prostituição, da droga, do submundo dos marginais; Eram crianças abandonadas, sem rumo e saíram homens de corpo inteiro. Como é que técnicas da segurança social - credenciadas e bem pagas, que permitiram que acontecessem os dramas da Joana de Portimão e da Catarina de Gondomar, apesar de atempadamente receberem o alerta - têm moral para julgar, para avaliar, para condenar?
A pedagogia da obra foi estudada por cientistas, como o Prof. João Evangelista da Universidade de Aveiro há anos, e agora serviu de argumento a uma tese de doutoramento de um ilustre Prof. de Psicologia e Pedagogia da Universidade de Castelo Branco. O livro que publicou sobre a tese foi apresentado por um ilustre Prof. Doutorado da Universidade de Madrid, e teve a honra da presença do Sr. Presidente da República, Cardeal Patriarca e muitas individualidades. Onde estão os jornalistas que nada disseram sobre o acontecimento? E a Segurança Social? E o Sr. Ministro Dr. Negrão? Queriam encher a obra com os seus assistentes burocratas, que muitas vezes sem preparação humana, nem experiência, julgam que educar é ofício para ganhar dinheiro e não uma missão. Tornar o farrapo da rua num homem quase perfeito, é obra de amor, de carinho, de diálogo, de esperança, de persistência, de autoridade e de ternura no momento certo. Os técnicos são necessários, ouvem-se e se é preciso mudar algo, que se faça melhor. Destruir não. A Segurança Social não mantém nem comparticipa gaiatos. São os portugueses deste país que apoiam monetariamente, mesmo com sacrifício, acreditam e vão continuar a creditar nesta Obra de Amor, que um homem predestinado e único no seu tempo idealizou e levou para a frente contra ventos e marés. A sementeira deu frutos e os seus continuadores lá estão a segui-lo abnegadamente, sem intenções económicas ou de qualquer recompensa. Bem hajam. Deus não dorme. Acredito que o povo lhes fará justiça e o Estado também.
Maria Alice Medeiros