Contradição ou convergência?

Nas últimas semanas, a região foi palco de notícias com destaque

Massacrados pelas informações inesgotáveis dos escândalos, da corrupção, dos julgamentos mediáticos, apesar do pântano em que tem estado mergulhada a comunicação social, que não fala de outra coisa, a nossa região conseguiu ultimamente bastante presença informativa nacional, e que motiva uma breve reflexão.

A primeira plataforma teve como cenário a sede da freguesia de Degracias, onde se realizou a anual feira do Queijo Rabaçal. Testemunhou a arte de fazer um produto de qualidade, que leva o nome de Rabaçal, e valorizando também o borrego e o cabrito, bem como a variedade de produtos endógenos do vinho, dos frutos secos e do mel. Teve honras de presença nos telejornais, sobretudo devido à visita do Presidente Jorge Sampaio, que terá sido determinante.

Mais tarde, fiquei deveras espantado pelo destaque dado em televisões, rádios e jornais à criação da Associação Amigos da Sesta, em Ansião. Talvez pela originalidade, mas também pelo aspecto curioso, não deixou de inspirar alguns comentários com um certo humor. A mim, concretamente, duma forma um tanto imediata, fez-me pensar que, enquanto uns trabalham, outros dormem! Percebo naturalmente que seria uma conclusão injusta, pois reconheço os benefícios que uma sesta pode produzir em quem a toma, para retemperar as forças e, sobretudo, a presença de espírito, com uma actividade mais desperta. Não só pela boa tradição ibérica, mas sobretudo porque o aquecimento progressivo dos últimos anos, cada vez mais, fazem sentir a sua necessidade. E, que para alguns, é indispensável. Razão tem o ditado espanhol: "- si quieres matar el fraile, quita-le la siesta!"

Foi igualmente expressão de algum impacto a transmissão televisiva do Programa Iniciativa, no Canal 2, em dois sábados, directamente de Ansião. Com certeza, tal realização pressupõe interesse e dinamismo, mesmo que alguns dos temas tenham sido realizados na região, o que demonstra a relação dos projectos locais com o desenvolvimento regional.

Parece-me importante sublinhar que, se estes acontecimentos tiveram relevo no tratamento informativo têm uma relação directa com pessoas, instituições e uma variedade de programas, numa dimensão bem mais alargada, e a que se não dá, sobretudo localmente, a devida atenção no dia a dia, talvez porque demasiado mergulhados neles.

É oportuno que se lembre o papel positivo da recuperação do artesanato, do aproveitamento dos produtos endógenos, da valorização das potencialidades do meio envolvente, e do contributo de todas as forças vivas, para a afirmação dum projecto coerente na dinamização do meio, na promoção da comunidade e ao serviço da qualidade de vida dos cidadãos.

Pelo nosso lado, modéstia aparte, com o contributo duma comunicação social solidária, temos estado ao serviço da região, do país e do mundo. É assim nesta "aldeia global", com consciência clara da nossa cidadania e do testemunho cristão. Valorizar e privilegiar o que há de positivo e bom no meio, promover a pessoa humana, manifestar a vitalidade das instituições, são algumas das máximas a reger a nossa conduta e a forma de comunicar. Com amor, verdade e isenção, em espírito de serviço...

Armando Duarte