Comunicar, é indispensável

Realizaram-se em Fátima, na última semana de Setembro, as jornadas da comunicação social, promovidas pela Comissão Episcopal das Comunicações Sociais, sob o tema: como se faz um jornal católico? ou o que faz católico um jornal? Apesar da incidência reflexiva sobre a imprensa, naturalmente é toda a comunicação social em análise. Aliás, além de devermos alargar o horizonte da nossa reflexão aos outros meios de comunicação, em verdade deveríamos fazer outras perguntas: como encaram os cristãos os meios de comunicação social? Que apoio dão as comunidades? Como está organizado o apostolado da comunicação social? Onde estão os planos pastorais de comunicação da Igreja? E poderíamos continuar a fazer um conjunto de perguntas, com resposta naturalmente difícil. fatima42.jpg (14043 bytes)

Mais importante que tudo isso, é imperativo avançar, e não ficarmos em considerações teóricas, fundamentando desculpas para nada fazer ou justificar tanta inércia. Ninguém, com boa formação pastoral, poderá hoje pôr em causa a necessidade de utilização da comunicação social, entre as diversas acções eclesiais. Mas discute-se muito, aprofunda-se pouco, e avança-se lentamente. Talvez, por isso mesmo, a Igreja em Portugal lançou em 1983 um plano trienal de educação para uma pastoral da comunicação social. Resultado: não teve continuidade. Há já algum que salta para a ribalta a ideia da criação de um diário ou um semanário católico. Em Fátima chamou-se a atenção para o risco de se avançar tarde demais. "Múltiplas interrogações", lembrava D. João Alves, na abertura do encontro. Contudo, aí foi também recordado que é pecado não procurar usar os meios de comunicação social.

É este o grande desafio. Os participantes nas jornadas procuraram vislumbrar as perspectivas actuais desta problemática, analisando os avanços e recuos da "Fé dos Homens", na RTP, e "Os abusos sexuais", na óptica da comunicação social católica. Mas, ficou claro que se torna indispensável o uso deste instrumento, que é o jornal católico, afirmou o P. João Aguiar, bem como toda a comunicação social de inspiração cristã, devo acrescentar. E apresentou algumas razões, em atenção a vários sectores da sociedade:

O P. Correia Fernandes avançou ainda outras razões:

É urgente procurar respostas ousadas, com uma comunicação social organizada. A responsabilidade é de todos. Dos bispos, das comunidades, dos comunicadores cristãos, dos empresários católicos. Particularmente a Igreja deve fazer com que os meios de informação sejam meios de comunicação e conduzam à comunhão. Para isso, ela deve estar em estado de comunicação. Na perspectiva da Aetatis Novae, deve procurar gerar condições para que haja planos pastorais de comunicação e fazer com esta esteja presente em todos os planos pastorais.

                                                                                                                                                        Armando Duarte