Partiu um amigo
Foi com emoção que acolhi a notícia de que Carlos Dias tinha partido para o Pai. Com ele privei de perto, quer como pároco de Lagarteira, quer sobretudo como amigo. É assim que, mesmo não sendo já o pároco da sua terra natal, fazia questão de me convidar pessoalmente para a festa do seu aniversário, em Julho, que ele vivia intensamente, como é sabido. E noutras ocasiões nos encontrávamos, quer em convívio, quer mesmo para recolher algumas declarações para tratamento noticioso, como os nossos leitores recordarão. Terei mesmo sido um dos últimos ansianenses a visitá-lo na sua residência em São Paulo, quando aí estive em Maio do ano passado, a presidir ao Encontro Mundial das Rádios Lusófonas Católicas. Nessa altura, encontrava-se já muito doente, e eu fui recebido com grande afecto na sua residência, quando ainda sentiu algumas melhoras.
O senhor Carlos Dias não ficava atrás nos gestos de simpatia e apreço. Várias vezes me telefonava, quer do Brasil, quer da sua casa em Lagarteira, em que manifestava interesse pela sua terra. Não deixava de salientar a sua fé, apresentando-se devedor a Deus e aos seus pais, na formação do seu carácter, evidenciando as virtudes da gente simples da sua freguesia.
Várias vezes teve gestos de solidariedade para connosco, apoiando a nossa comunicação social, como descrevi na altura nas colunas do nosso jornal. E não deixava de elogiar e incentivar o meu trabalho e os meus projectos. Mas a sua freguesia de Lagarteira, e a igreja paroquial, em particular, muito beneficiaram com a sua generosidade, não esquecendo outras instituições do concelho. Por isso mesmo, não posso deixar de testemunhar a sua partida, como verdadeiro amigo.
À família enlutada, quero exprimir a minha proximidade e comunhão, particularmente a Dª Elisa, viúva, aos filhos Regina, Luís Guilherme, Júlia e Ana Lúcia, bem como aos netos Bruno e Daniel. Rezo para que Deus lhe conceda a contemplação da Sua Glória.
P. Armando