O BARCO DA PROVOCAÇÃO
Temos vindo a assistir, nas últimas semanas, a um insistente
retorno ao tema da despenalização do aborto, despoletado sobretudo pelo folclórico
espectáculo do chamado barco do aborto que, através de uma bem orquestrada
encenação, conseguiu chamar a si a atenção dos media portugueses.
No meio deste agitada trapalhada provocatória e insultuosa que
meteu fragatas e tribunais, governos e parlamentos, tudo isto mediaticamente orquestrado e
exageradamente ampliado por certa comunicação social, fez-me bem ler as palavras
límpidas e desprovidas de preconceitos, desta figura vertical e transparente que é o
historiador José Hermano de Saraiva. Qual rocha firme e imperturbável perante a ruidosa
agitação que esse tal barco do aborto pretendeu provocar no sereno mar das
convicções do povo português, apelidado por uns tantos de reaccionário e
fundamentalista, eis que surge essa figura pública, bem conhecida do nosso meio
mediático, a defender, desassombradamente, aquilo que de mais sagrado existe que é o
DIREITO À VIDA: Na nossa cultura ocidental
o valor capital é o direito à vida...... E é em nome do respeito à vida que a gente se
opõe à droga, se opõe ao suicídio, se opõe à guerra. Só a pessoas com um horizonte
problemático, de curto prazo, é que podem estar com essa guerra vergonhosa.
E nessa entrevista publicada num semanário português, José
Hermano Saraiva classifica essa visita do navio holandês como uma provocação à legislação e à soberania
portuguesa. E termina dizendo que acha que
tem havido muita paciência a esses elementos provocadores
Neste cansativo espectáculo mediático que nos
entrou, dias a fio, pelas nossas casas, só lamentamos o triste desempenho que certos
deputados e políticos portugueses manifestaram, num claro e provocatório desrespeito
pelas convicções pessoais, arvorando-se em autênticos paladinos da verdade, mesmo
atropelando certezas cientificas, e não se coibindo até de apelidar de retrógrados,
conservadores e fundamentalistas todos aqueles que não comungam das suas
verdades.
E já que esses deputados, generosamente remunerados pelos
nossos impostos, não conseguem respeitar uma decisão democrática que foi o referendo
nacional sobre o aborto, que aprendam, ao menos, a respeitar aquilo que de mais
inviolável existe que é o DIREITO Á VIDA e sem o qual nenhum outro direito terá razão
de existir.
E nem sequer o direito da mulher sobre o seu próprio corpo,
tão defendido por certos movimentos políticos e feministas, poderá prevalecer sobre o
DIREITO À VIDA do filho que, desde o momento da sua concepção, começou um maravilhoso
processo de desenvolvimento dentro do seu corpo.
Independentemente das circunstâncias mais complicadas e
dramáticas que levem uma mulher a interromper esse processo, a sua concretização não
deixará nunca de ser o ceifar de uma vida, por mais malabarismos económico-sociais ou
pseudo-científicos que tentem justificar tal acto.
José Cerca