Notícias de Alvaiázere

Alvaiázere mostrou produtos endógenos

Os saberes, sabores e tradições da sub-região do Sicó, que abarca os concelhos de Alvaiázere, Ansião, Condeixa, Penela, Pombal e Soure, foram mostrados, de 20 a 22 de Maio, no Município de Alvaiázere, através da realização da Exposicó.

O certame, realizado no mercado municipal local, juntou no mesmo espaço o Queijo Rabaçal, o vinho, o mel, o azeite, o mel e o artesanato, não faltando o cabrito e borrego, que se podiam saborear nos onze restaurantes aderentes à iniciativa.

Segundo Carlos Graça, da Associação de Desenvolvimento "Terras de Sicó", entidade organizadora do evento, a Exposicó 2005 "nasceu no seguimento das feiras tradicionais que se vinham fazendo e que se chamavam Feira do Queijo, Mostra de Vinhos e Festival do Cabrito e do Borrego". Este responsável justificou, ao nosso jornal, a alteração da denominação do certame com o facto de a iniciativa ter outra dinâmica, tendo citado o exemplo da introdução de novos produtos na feira (o caso do mel, do azeito e do artesanato), assim como outras realizações (o espectáculo para as crianças e o seminário).

Apesar do certame ter arrancado a 20 de Maio, com a realização do espectáculo para as crianças, a abertura oficial da Exposicó só decorreu na tarde de sábado, tendo contado com a presença do Secretário de Estado do Desenvolvimento Rural e Florestas, Rui Gonçalves.

Na sessão, o autarca anfitrião, Álvaro Pinto Simões, recordou os objectivos da mostra, ou seja, a promoção e divulgação dos produtos endógenos e tradicionais desta região, iniciada há cerca de dezassete anos pela Adsicó e posteriormente pela Associação de Desenvolvimento "Terras de Sicó". Ainda segundo o autarca, os autarcas desta sub-região, conscientes da importância da agricultura, "procuraram criar infra-estruturas, capazes de dar melhor qualidade de vida aos seus habitantes, mas nunca esqueceram o mundo rural", tendo sido, inclusivamente, criada a Adsicó com o objectivo "de defender os nossos produtos endógenos". A associação de municípios fundada, na altura, teve, na opinião de Álvaro Simões, um papel preponderante, tendo realçado que "se não tivesse sido a Adsicó e as infra-estruturas que criaram, hoje, o Queijo Rabaçal estava completamente degradado. Começava a surgir no mercado queijo com leite de vaca e, até leite em pó, o que desvirtuava o produto que é feito, apenas com leite de ovelha e cabra", recordou ainda.

A terminar a sua intervenção, dirigiu–se aos futuros autarcas, uma vez que ele está de saída das suas funções como presidente de Câmara, que exerce há cerca de duas décadas, deixou ainda o apelo: "Não deixem morrer estas iniciativas e lutem pela defesa do nosso património e essencialmente pelos nossos produtos endógenos".
O autarca lembrou ainda que a defesa dos produtos rurais e dos respectivos produtores não se consegue, apenas, com o trabalho dos autarcas mas, também, com medidas de protecção e de colaboração com origem no Poder Central.

Rui Gonçalves, Secretário de Estado, na sua intervenção, referiu que "para o Governo Central este tipo de iniciativas são essenciais", considerando que "o progresso, o desenvolvimento e a competitividade só são alcançados com um mundo rural progressivo e dinâmico", onde os recursos naturais não sejam descurados.

O governante admitiu ainda que se deslocou a Alvaiázere para incentivar a continuação de acções como a ExpoSicó, tendo salientado que "a valorização destes produtos é importante para combater a desertificação e optem por viver no interior do país".

A concluir, Rui Gonçalves admitiu que, também ele, vê no turismo uma saída para o desenvolvimento do país. "Portugal tem uma grande riqueza e diversidade paisagística que ainda não foi explorada", sublinhou.

Seguiu-se depois uma visita ao certame, onde as entidades oficiais e civis puderam saborear e degustar os produtos desta região.

Nova dinâmica será mantida em edições posteriores da Exposicó

Segundo Carlos Graça, a nova dinâmica impressa na Exposicó 2005 "vai introduzir dinâmicas positivas", visto que o certame reúne uma maior diversidade de produtos e, consequentemente, atrai, ao certame, um maior número de potenciais clientes. Para além do maior número de participantes na Feira, o técnico responsável pelo certame considerou também importante a introdução de um espectáculo para crianças, visto que se "começa também já a preparar o futuro", através da sensibilização dos pequenos Homens do amanhã para a importância da preservação e divulgação dos produtos.

Outra das inovações na realização da mostra foi a realização de um colóquio subordinado ao tema "Produtos Endógenos versus Identidade do Território", uma iniciativa onde, ainda segundo Carlos Graça, foi reforçada a ideia de defesa dos produtos locais, "uma das "bandeiras" desta região".

"A inovação na Feira, não só na denominação, mas também no conteúdo" é, segundo o técnico responsável pelo certame, uma das perspectivas a manter no futuro, perspectivando-se que, em edições posteriores, sejam promovidas iniciativas, que à semelhança da Exposicó 2005, abarquem o maior número de faixas etárias possíveis.

Incêndio florestal foi rapidamente extinto

Um incêndio florestal deflagrou na tarde do dia 21 de Maio, tendo sido rapidamente extinto pelos bombeiros no concelho de Alvaiázere.

O incêndio foi detectado durante a tarde, mas cerca das 18:15 estava já considerado extinto, depois de ter mobilizado mais de meia centena de bombeiros de corporações da região.

 

Paulo Morgado sucede a Pinto Simões como candidato do PSD

O economista Paulo Morgado confirmou, no dia 21 de Maio, a sua candidatura pelo PSD à Câmara de Alvaiázere, sucedendo a Álvaro Pinto Simões, que conduziu os sociais-democratas locais a algumas das vitórias mais expressivas de todo o país.

"É uma responsabilidade muito grande", afirmou à Agência Lusa Paulo Morgado, elogiando o trabalho de Pinto Simões, que completa o quinto mandato à frente da autarquia, sempre com maiorias absolutas e com resultados médios acima dos 70 por cento.

O actual autarca "é uma pessoa querida pela população" mas "achou por bem sair da cena política", pelo que Paulo Morgado decidiu aceitar o convite para o suceder à frente do PSD.

Apesar de partir favorito, Paulo Morgado rejeita euforias, considerando que as "vitórias só se conseguem nas urnas" pelo que os apoiantes do PSD devem "trabalhar com esforço para encontrar as melhores soluções para os problemas existentes".

Nesse sentido, "estamos a trabalhar em estratégias de equipa" para "manter a linha de rumo para o concelho" desenvolvida por Pinto Simões, explicou.

Por seu turno, Pinto Simões considerou que o candidato do PSD reúne "todas as condições para ter um grande resultado e fazer um bom trabalho na Câmara".

"Sou presidente da Câmara há 20 anos e achei que era tempo de mudar", justificou Álvaro Pinto Simões, elogiando o perfil do candidato escolhido pelo PSD, um "economista da nova geração com o futuro à sua frente".

Depois de ter conquistado para o PSD a Câmara em 1985 - depois de gestões socialistas e centristas - Álvaro Pinto Simões chegou a ganhar todos os mandatos de vereador do Executivo em 1993, com quase 80 por cento dos votos.

Em 2001, Pinto Simões venceu as eleições com 71 por cento dos votos, conquistando quatro dos cinco vereadores da autarquia, contra apenas um do PS.

 

Concelhos do interior reclamam reunião com Governo para acelerar IC 3

Nove concelhos dos distritos de Leiria, Coimbra e Castelo Branco solicitaram ao Governo uma reunião para acelerar a construção do Itinerário Complementar 3 (IC3), uma via estruturante para a região, revelou, a 24 de Maio, um autarca de Alvaiázere.

Em declarações à Agência Lusa, o presidente daquela Câmara, Álvaro Pinto Simões, salientou que esta questão foi já abordada na reunião realizada a 21 de Abril com as autarquias da região, faltando agora uma resposta do secretário de Estado das Obras Públicas para agendar uma "reunião urgente" que "resolva o impasse da obra".

Para o autarca de Alvaiázere, esta via é "o pão para a boca do desenvolvimento do Pinhal Interior", ligando com maior rapidez Coimbra ao Ribatejo Norte e permitindo uma alternativa à Estrada Nacional 1, (EN1) que já se encontra "sobrelotada".

"O IC3 só existe no papel, porque a estrada (antiga Nacional 110) não tem condições para ter o enorme volume de pesados que a atravessam", prejudicando "os condutores e o desenvolvimento desta região".

"Enquanto o IC3 não avançar, continuamos a ser portugueses de segunda, porque estamos duplamente em desvantagem face a outros concelhos: estamos no interior e não temos acessibilidades condignas", defendeu o autarca.

Na missiva enviada ao Governo, subscrita pelas autarquias de Alvaiázere, Ansião, Miranda do Corvo, Proença-a-Nova, Figueiró dos Vinhos, Ferreira do Zêzere, Pedrógão Grande, Sertã e Penela, os autarcas reclamam a conclusão do estudo prévio da obra de modo a que seja feito um concurso "o mais rapidamente possível", revelou ainda Pinto Simões.

Com cerca de 70 quilómetros de dimensão, o IC3 vai unir Condeixa-a-Nova e Tomar numa via directa, permitindo uma mais rápida ligação destes concelhos a Lisboa e a Espanha.