De novo a aldeia global,
centrada no Sudoeste Asiático, nos mobiliza
Todos
temos consciência do papel fundamental dos meios de comunicação social para
tornar o mundo pequeno, reduzir as distâncias, aproximar as pessoas e mobilizar
vontades. É o que acaba de evidenciar-se com a catástrofe verificada no
longínquo sudoeste asiático, que se tornou tão perto, mexeu com cada pessoa em
particular, que se sentiu a tomar parte directa no evoluir dos acontecimentos
dramáticos, e despertou para uma melhor canalização de esforços e energias à
escala mundial. Não pretendendo fazer uma análise exaustiva sobre este assunto,
tão familiar se tornou pela abundância de informações, apenas gostaria de
sublinhar a missão insubstituível que a comunicação social cumpre.
Para o
melhor e para pior, ninguém ignora a
força da comunicação social, a sua capacidade para formar mentalidades e
influenciar comportamentos. Numa perspectiva eclesial, queremos usá-la, a
partir da forma mais positiva, construtiva e unificadora. Assim o reflectem os
documentos da Igreja que apresentam os meios de comunicação social como “dons
de Deus”, e manifestam que “comunicar não é só exprimir ideias..., mas doação
de si mesmo, por amor” (Communio et Progressio, 2.11). No tempo litúrgico, que
acabamos de viver, fomos convidados a descobrir que, no Verbo feito Carne, Deus
se comunica definitivamente; por isso a Igreja vive na esperança duma comunhão
definitiva. Por isso, a comunicação deve situar-se no seio da comunidade
eclesial. Hoje, a Igreja deve imperativamente usar a comunicação social, para
ser fiel á sua própria vocação.
É assim
que nos atrevemos a sugerir, a partir da força mobilizadora da comunicação
social, alguns compromissos, que hão-de manifestar a concretização consciente e
comprometida dos melhores objectivos da comunicação social. Quando conhecemos
uma certa forma de fazer jornalismo, que se compara a uma espécie de
vampirismo. Só sabe trabalhar com sangue. É o aproveitamento e exploração dos
escândalos, com fins de vender e captar audiências, devassando a vida privada,
explorando aspectos mórbidos da vida social, provocando em excesso a
sensibilidade na cobertura do sofrimento humano, da catástrofe e da desgraça.
Essa não é
a nossa forma de comunicar. Correspondendo aos objectivos superiores que nos
regem, queremos deixar três propostas aos nossos leitores, em jeito de desafio:
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Estamos numa fase de
consolidação e expansão da nossa comunicação social: rádio e jornal. Além do
serviço que desempenhamos, neste sector, a nível diocesano nacional e internacional.
Como informamos noutra secção, acabamos de realizar um trabalho de grande
alcance em favor das rádios católicas de Moçambique. Então, apoiar este desafio
é uma afirmação clara de cidadania. Apoiar uma comunicação social, que se
propõe estar ao serviço da pessoa humana, do desenvolvimento regional, da
aproximação das comunidades, da boa notícia, é uma verdadeira afirmação de
qualidade
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Sermos coesos, à volta
das instituições que mais favorecem o desenvolvimento e promoção do que há de
melhor na pessoa humana, é também uma opção que nos distingue. Porque estamos
inseridos na Região Pastoral Sul da Diocese de Coimbra, queremos assumir o
apoio ao Centro Pastoral da Região, que está sediado em Chão de Couce, e que
serve todas as comunidades dos concelhos que fazem parte desta Região.
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Vêm aí eleições a 20 de
Fevereiro. De novo a nossa condição de cidadania é posta em questão. Mesmo com
críticas ao panorama político vigente. Não podemos abster-nos e deixar que
outros decidam por nós. Além disso, vivendo a nossa condição de cristãos,
empenhados na comunidade, temos o compromisso maior dos deveres cívicos, para traduzir na vida a opção pelos valores
do Reino.
Aqui ficam
três propostas de empenhamento, assumindo o valor da força mobilizadora da
comunicação social, no quer tem de melhor. Deste modo estamos a cumprir o nosso
papel, e o leitor viverá o seu, se assume também a sua condição participativa
de cidadania.
P. Armando Duarte